Como Jurerê entrou no imaginário brasileiro
23/07/2026, 6 min de leitura

Planejamento, arquitetura e vida à beira-mar explicam a projeção de um dos endereços mais emblemáticos de Florianópolis.
Jurerê não se valorizou apenas pela praia. Sua formação começou quando uma área rural do Norte da Ilha passou a ser pensada como cidade balneária, com ruas definidas antes da ocupação, percursos exclusivos para pedestres, áreas verdes e equipamentos turísticos.
Esse traçado está na origem da organização percebida atualmente. Décadas depois, gastronomia, entretenimento e esporte ampliaram a visibilidade do bairro, mas sua identidade urbana remonta ao projeto iniciado nos anos 1950.
Antes de Jurerê, a Praia do Forte
A história local está ligada à Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída entre 1740 e 1744. Em uma planta de 1777, a costa aparece como Praia de São Francisco de Paula e, posteriormente, também ficou conhecida como Praia do Forte.
Até 1956, o acesso partia de Canasvieiras e atravessava a Ponta dos Morretes. Na maré baixa, o percurso podia ser feito pela areia, a pé, de carroça ou automóvel.
A paisagem reunia terrenos alagadiços, vegetação, casas modestas e ranchos de pesca. O nome Jurerê foi introduzido pela Imobiliária Jurerê, responsável pelo empreendimento que transformaria a ocupação daquele trecho do Norte da Ilha.

Uma cidade balneária concebida nos anos 1950
O loteamento Praia do Forte começou a ser implantado em 1957. Liderado por Aderbal Ramos da Silva, Annito Zeno Petry e Julio Teixeira, o plano previa residências de veraneio, hotel internacional, clube, restaurante e áreas de convivência. Era uma proposta ambiciosa para uma Florianópolis ainda concentrada em torno do Centro.
Oscar Niemeyer foi contratado para colaborar tecnicamente com o projeto. Em carta assinada em 22 de abril de 1957, destacou o potencial turístico de Santa Catarina e a necessidade de preservar a unidade do conjunto. Sua participação associou o novo balneário à arquitetura moderna que ganhava projeção nacional com Brasília.
A proposta foi apresentada em revistas, catálogos e encontros com autoridades antes mesmo de estar concluída. A revista O Cruzeiro, uma das publicações de maior circulação do período, relacionou o lançamento à Fortaleza de São José da Ponta Grossa na reportagem “Até as pedras renascem”. Jurerê começou, assim, a ocupar o imaginário brasileiro antes de alcançar sua configuração atual.


Por que Jurerê é tão organizado?
A resposta está no desenho original. O loteamento foi estruturado antes da construção das residências, alternando ruas para automóveis e alamedas ajardinadas destinadas aos pedestres. Esses caminhos permitiam chegar à praia sem atravessar o fluxo de veículos e criavam uma transição entre casas, jardins e espaços coletivos.
A primeira etapa, aprovada em 23 de janeiro de 1960, abrangia três milhões de metros quadrados e reunia 576 lotes de 15 por 30 metros. Mais de 40% da superfície deveria permanecer livre de construções. Árvores eram produzidas em viveiro próprio e, em 1962, eucaliptos foram plantados para auxiliar na drenagem. Essa origem explica a presença do verde, a continuidade das ruas e a relação entre espaço público e privado ainda observada nas casas em Jurerê.
Casas em Jurerê: por que o bairro é um dos mais desejados do Brasil.



O modernismo encontrou o mar
O projeto do loteamento previa pilotis, formas geométricas, integração visual com a paisagem e planta livre, conceito estrutural em que a sustentação se concentra nos pilares, permitindo organizar os ambientes internos sem depender de paredes portantes.
O hotel internacional não chegou a ser construído, mas o restaurante projetado por Niemeyer materializou parte dessa linguagem. Conhecido como Catetinho, o edifício apresentava um volume elevado e uma ampla fachada de vidro voltada para o oceano.
Durante anos, funcionou como ponto de encontro social, até ser demolido na década de 1990. Sua existência mostra que a arquitetura não foi incorporada posteriormente como recurso de valorização: fazia parte da identidade idealizada para o balneário desde o início.

Da SC-401 ao novo ciclo de ocupação
Em 1958, a Imobiliária Jurerê construiu um acesso de aproximadamente cinco quilômetros a partir da estrada estadual para Canasvieiras. O asfaltamento posterior da SC-401 aproximou os balneários do Centro e direcionou o crescimento urbano para o Norte da Ilha.
A área foi adquirida pela Habitasul, que realizou em 29 de outubro de 1983 a entrega oficial da primeira etapa do novo ciclo. Jurerê Internacional deu continuidade ao loteamento anterior, ampliando a estrutura residencial, turística e comercial. A baixa densidade em determinados trechos, a arborização e a atenção aos espaços livres permaneceram entre seus elementos distintivos.

Gastronomia e entretenimento ampliaram a projeção
A criação do centro comercial Jurerê Open, na década de 1990, reuniu restaurantes, cafés, lojas e serviços em um ambiente aberto e caminhável. O espaço prolongou a lógica das alamedas e tornou a região mais funcional durante todo o ano, reduzindo sua dependência da temporada.
A partir dos anos 2000, beach clubs e apresentações musicais levaram o nome de Jurerê às revistas, à televisão e às coberturas nacionais sobre turismo. O entretenimento trouxe visibilidade, enquanto o planejamento e a infraestrutura sustentaram a procura por moradia.

Um bairro preparado para o esporte e a vida cotidiana
A estrutura que organiza Jurerê também favorece uma rotina ativa. Ruas arborizadas, percursos caminháveis, praia de águas geralmente calmas e oferta de serviços criam condições para corrida, ciclismo, natação e esportes náuticos durante todo o ano.
É essa combinação entre geografia e infraestrutura que permite ao bairro receber o IRONMAN Brasil há mais de duas décadas. Com 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e 42,2 quilômetros de corrida, a prova exige acesso viário, hospedagem, gastronomia e capacidade operacional. A permanência do evento em Jurerê confirma a aptidão da região para acolher competições internacionais.
Saiba mais sobre o IRONMAN Brasil em Jurerê.

Uma valorização sustentada pelo território
A valorização imobiliária resulta de fatores difíceis de reproduzir: oferta limitada de terrenos, planejamento urbano, proximidade do mar, baixa densidade em determinados trechos e serviços consolidados. O antigo balneário de veraneio tornou-se um endereço funcional para moradores permanentes, famílias e esportistas.
Mais de seis décadas depois, o desenho original continua visível nas alamedas, na arborização e na relação entre casas e espaços coletivos. Jurerê permanece desejado porque converteu planejamento em qualidade urbana.
Perguntas frequentes sobre Jurerê
Por que Jurerê é considerado um bairro planejado?
O traçado foi definido antes da ocupação, com ruas para veículos, alamedas destinadas aos pedestres, arborização e áreas livres. A primeira etapa foi aprovada em 1960 e previa mais de 40% da superfície sem construções.
Qual foi a participação de Oscar Niemeyer em Jurerê?
Niemeyer foi contratado em 1957 para colaborar tecnicamente com o loteamento Praia do Forte. Sua atuação envolveu a análise e o aperfeiçoamento das diretrizes urbanísticas e arquitetônicas do projeto.
Por que o IRONMAN Brasil acontece em Jurerê?
A região reúne praia adequada à natação, acesso viário, percurso para ciclismo e corrida, além de hospedagem, gastronomia e capacidade para receber atletas e público. Essa estrutura permite concentrar diferentes etapas da competição no mesmo território.
O que explica a valorização dos imóveis em Jurerê?
A oferta limitada de terrenos, o planejamento urbano, a proximidade do mar, a baixa densidade em determinados trechos e a estrutura de serviços sustentam a procura por imóveis na região.
Encontre seu lugar em Jurerê
Cada trecho oferece uma experiência diferente de moradia, seja pela proximidade da praia, pelo silêncio das ruas residenciais ou pelo acesso à gastronomia e aos serviços.



